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Mortes em Ceará-Mirim indicam ação de grupos de extermínio

Publicada em 09/08/17 as 09:52h por Tribuna do Norte - 1417 visualizações


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Com 105 homicídios registrados, somente este ano, Ceará-Mirim, município da Região Metropolitana de Natal,  não sabe a autoria de nenhuma dessas mortes; assiste aterrorizada a repetição de chacinas e assassinatos em série e pode estar sendo palco para as ações de um grupo de extermínio. 

De acordo com a Polícia Civil da cidade, a baixa estrutura para investigar é um dos fatores que dificultam a conclusão dos inquéritos sobre os assassinatos. A cidade foi palco, em fevereiro, da segunda maior chacina do Rio Grande do Norte em 2017, com 13 mortes, perdendo somente para o massacre em Alcaçuz. Na noite da última segunda-feira (7), três jovens foram mortos com tiros na cabeça, no conjunto Barretão. Segundo autoridades da segurança pública, a existência de um grupo de extermínio que esteja por trás da maioria dos casos é a principal linha de investigação. 

A presença de um grupo de extermínio e briga de duas facções criminosas pelo domínio do comércio das drogas  amedrontam a população e preocupam agentes que fazem a segurança pública de Ceará-Mirim. Os conjuntos habitacionais menos abastados são palco da maioria dos assassinatos.  De acordo com o chefe de investigação da delegacia da cidade, Jefferson Vasconcelos, a forma de atuação dos crimes indicam que o mesmo grupo está por trás da maior parte dos assassinatos. 

"É o mesmo modus operandi de atuação. São quatro ou cinco homens de preto, encapuzados, usando arma de calibre 12 que arrombam os portões das casas e executam os supostos alvos. Conseguimos observar em imagens de câmeras que um carro branco, celta ou corsa, rondam próximo aos locais de alguns crimes. Talvez um grupo esteja por trás dos assassinatos, mas ainda não é possível afirmar com certeza", explicou o chefe de investigação. 

Além da mesma forma de atuação dos supostos autores dos assassinatos, as vítimas também possuem características em comum: são jovens, geralmente entre 15 e 29 anos, com pouca renda e escolaridade, moram em conjuntos periféricos e possuem algum envolvimento com pequenos delitos e infrações. A maioria é usuária de drogas. 

O comandante da companhia da Polícia Militar de Ceará-Mirim, capitão Ailton Trindade, atribuiu a disputa pelo comércio de drogas entre facções como uma das principais causas do aumento de homicídios na cidade neste ano. Ele explicou que o patrulhamento foi aumentado na região, mas não tem inibido a onda de assassinatos. "Investigações robustas impedem homicídios. A Polícia Militar apreende armas que supostamente podem ser usadas para cometer os crimes, mas só isso não impede", analisou Trindade.

No conjunto Barretão, na manhã de ontem (8), o medo e apreensão entre a população era constante. Na rua que ocorreu o triplo homicídio, familiares choravam a morte dos parentes e vizinhos permaneciam dentro de casa. "Aqui a gente não tem sossego para sair de casa. O crime tomou conta. Abrir a boca é pedir para morrer", disse um dos moradores, que pediu para não ser identificado temendo retaliações. 

Morador de Ceará-Mirim há pouco mais de um ano, o aposentado Eudes Carvalho, 55 anos, descreveu a cidade em que reside "completamente insegura" . "Aqui as pessoas são humildes, sofridas e muitas não tiveram oportunidade de ter educação. As pessoas se escondem dentro de casa porque tem medo", disse o morador. O Posto policial de do conjunto Barretão está fechado. 

Na casa em que morava com o marido, a jovem Leidiane de Souza, presenciou a vida de  Adson Bernardo de Oliveira, 15 anos, ser tirada. Ela conta que ele tinha chegado da escola e estava na área da casa com o irmão, quando foi assassinado. "Quando me levantei, vi o rosto dele esbagaçado. Foi muito triste", disse Leidiane. Ela conta que o adolescente trabalhava em uma empresa de refrigeração com o tio e que não sabia do envolvimento dele com o crime. 

Números

105 assassinatos ocorreram em 2017.

118% a mais do que em 2016, quando foram registrados 48 homicídios.

228% a mais do que em 2015, quando ocorreram 32.

42 das mortes foram em chacinas, duplo ou triplo homicídios.

Os crimes - Chacinas, duplo e triplo homicídios marcam rotina: 
17/01 -  quatro pessoas foram mortas no Conjunto do Barretão
19/01 - duplo homicídio no Centro 
01/02 - duplo homicídio na Baixa do Rato 
17/02 - duplo homicídio em São Geraldo 
21/02 - seis pessoas são assassinadas na Baixa do Rato
22/02 - um duplo homicídios ocorre na comunidade de Brogodó, menos de 24h depois da chacina na Baixa do Rato
24/02- Duplo homicídio na Estação
19/04 - Triplo homicídio no bairro Paraíba 
27/05 - Duplo homicídio ocorre em São Geraldo
09/06 - Duplo homicídio no bairro Cinco Bocas
26/06 - Duplo homicídio no centro da cidade
08/07- Duplo homicídio no centro 
22/07 - Duplo homicídio na Praia de Muriu 
27/07 - Duplo homicídio  na zona rural de Ceará-Mirim 
29/07 - Duplo homicídio na comunidade de Pedregulho 
30/07 - Duplo homicídio no centro 
07/08 - triplo homicídio no conjunto Barretão

Fonte: Observatório da Violência Letal Intencional do RN (Obvio).




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